quinta-feira, 8 de julho de 2010

Mundo tem mais de 1 milhão de espiões

Prisão de agentes russos nos EUA mostra que a espionagem corre solta






O espião mais conhecido de todos os tempos, James Bond, eletrizou plateias de cinemas mundo afora com suas armas tecnológicas, carrões e mulheres bonitas. Com menos glamour que o fictício agente 007, outros milhares de espiões continuam bisbilhotando governos, governados e governantes – segundo um estudo americano, eles são 1,1 milhão. Nesta última semana, o tema veio à tona com a prisão nos Estados Unidos de dez supostos agentes a serviço da Rússia.
Veja casos históricos de espionagem
A prisão dos supostos espiões deu uma sensação de retorno ao passado nos americanos, já que as conspirações e espionagens pareciam ter ficado para trás, nos tempos da Guerra Fria. Até o fim da União Soviética, em 1991, russos e americanos travaram uma grande batalha de informação.
Um estudo exaustivo do professor Christian Hippner, O Tamanho da Indústria da Inteligência Mundial, do Mercyhurst College, da Pensilvânia, nos EUA, concluiu que por ano são gastos US$ 106,9 bilhões (R$ 190 bilhões) com serviços de inteligência em todo o mundo. Quem mais gasta são os americanos – US$ 75 bilhões (R$ 133,3 bilhões). Os dados foram publicados em outubro de 2009.
Apesar de serem os maiores gastões, os EUA perdem para a Rússia em número de agentes – são 172 mil russos e 144 mil americanos -, sendo que um deles pode estar sentado ao seu lado.
Entre os presos nos EUA estava um casal que vivia num típico subúrbio de Nova York. Questionado sobre os vizinhos pelo jornal The New York Times, um dos moradores do local disse que “eles não podem ser espiões”, devido ao capricho com que cuidavam de seu jardim.
- Veja o que eles fizeram com as hortênsias.
As flores, de fato, estavam bonitas.
Espionagem pode estar a serviço da máfia russa
Para a historiadora Maria Aparecida Aquino, da USP (Universidade de S. Paulo), a prisão de supostos agentes russos está um pouco fora de época. Os próprios jornais americanos questionaram o que faziam os inofensivos vizinhos que ainda passariam informações a Moscou.
A professora lembra que após o fim da Guerra Fria, com russos e americanos posando de amigos, a necessidade de complexos esquemas de espionagem não parece fazer sentido. Ela diz, no entanto, que os antigos sistemas não foram “desmontados, foram adaptados”.
- Antes, o grande inimigo dos EUA era a União Soviética. Com o fim da Guerra Fria, o grande aparato dos EUA não foi desmontado, foi readaptado. O antigo inimigo de plantão deu lugar a outros novos, como a Al Qaeda e Osama bin Laden.
A professora diz ainda que muitos dos espiões podem estar a serviço da máfia russa. Em 2007, um ex-agente da KGB, Alexander Litvinenk, foi envenenado e morto em Londres. As suspeitas apontaram para magnatas da Rússia que poderiam ter conexões criminosas.
O Brasil é espionado?
Com a redemocratização do Brasil, o antigo SNI (Serviço Nacional de Inteligência), que chegou ao ápice durante a ditadura militar (1964-1985), espiando a vida de prováveis subversivos, deu lugar à Abin (Agência Brasileira de Informação).

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